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Vizualizar Versão Completa : Ser Pais


Tayeb
08-02-2009, 21:34
Ser Pais

http://www.islamreligion.com/pt/articles/393/


Uma das razões da família islâmica funcionar é a sua estrutura claramente definida, onde cada membro da família sabe o seu papel. O Profeta Muhammad, que Deus o exalte, disse:

"Cada um de vocês é um pastor, e todos vocês são responsáveis pelos seus rebanhos." (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)

O pai é o pastor de sua família, protegendo-a, provendo-a, e se empenhando para ser um modelo e guia dentro de sua capacidade como chefe da família. A mãe é a pastora sobre a casa, guardando-a e engendrando nela o ambiente de amor que é necessário para uma vida familiar feliz e saudável. Ela também é a principal responsável pela orientação e educação das crianças. Se não fosse pelo fato de um dos pais assumir o papel de liderança, inevitavelmente haveria disputa e briga perpétuas, levando ao colapso familiar - assim como haveria em qualquer organização que carecesse de uma única autoridade hierárquica.

"Deus propõe um exemplo: um servo que pertence a muitos sócios, disputando entre si, e um homem que pertence a um só homem. São ambos iguais em comparação - Todos os louvores são de Deus! Mas a maioria deles não sabe." (Alcorão 39:29)

É apenas lógico que aquele que é naturalmente física e emocionalmente mais forte seja feito o chefe da casa: o homem.

"...E elas (as mulheres) têm direitos (sobre seus homens) semelhantes (aos direitos de seus homens) sobre elas - de acordo com o que é equitativo. Mas os homens têm um nível (de responsabilidade, etc.) sobre elas..." (Alcorão 2:228)

Quanto às crianças, os frutos do amor de seus pais, o Islão estabelece ensinamentos morais abrangentes prescrevendo a responsabilidade parental e os deveres recíprocos da criança em relação aos seus pais.

"E decretou benevolência para com seus pais. Se um deles ou ambos atingem a velhice, junto de ti, não lhes digas um palavra (sugerindo) desgosto, nem os desaprove, mas lhes fale com reverência. E se humilhe perante eles, por misericórdia, e ore: 'Meu Senhor! Tem misericórdia deles, como quando eles cuidaram de mim, na minha infância.'" (Alcorão 17:23-24)

Obviamente, se os pais fracassam em inculcar o temor a Deus em suas crianças desde uma tenra idade porque eles próprios são negligentes, eles não podem esperar receber a sua devida gratidão. Por isso, o alerta severo de Deus em Seu Livro:

"Ó vós que credes! Guardai-vos a vós mesmos e a vossas famílias do Fogo, cujo combustível são homens e pedras." (Alcorão 66:6)

Se os pais de facto se empenham para educar seus filhos com virtude, então, como o Profeta disse:

"Se o filho de Adão morre, todas as suas acções cessam excepto [três, caridade contínua, conhecimento benéfico e] um filho virtuoso que ora por seus pais." (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)

Independentemente de como os pais educam suas crianças e de sua própria religião (ou falta dela), a obediência e reverência exigidas de um filho ou filha muçulmanos ficam atrás apenas da obediência devida ao Próprio Criador. Por isso o Seu lembrete:

"E lembra-lhes de quando firmamos o pacto com os Filhos de Israel, (dizendo): 'Não adoreis senão a Deus e tende benevolência para com os pais e os parentes e com os órfãos e os necessitados; e dizei aos homens belas palavras e cumpri a oração, e fazei caridade.'" (Alcorão 2:83)

De facto, é muito comum ouvir sobre não-muçulmanos idosos se convertendo ao Islão como resultado do maior cuidado e dedicação que seus filhos lhes dão após (seus filhos) terem se tornado muçulmanos.

"Dize (Ó Muhammad): "Vinde, eu recitarei o que vosso Senhor vos proibiu: não associeis nada em adoração com Ele; tende benevolência com seus pais; não mateis vossas crianças por medo da pobreza - Nós vos damos sustento e a eles..." (Alcorão 6:151)

Embora a criança seja obrigada a demonstrar obediência a ambos os pais, o Islão considera a mãe como sendo a merecedora da parte do leão do amor e gentileza. Quando foi perguntado ao Profeta Muhammad, "Ó Mensageiro de Deus! Quem entre a humanidade merece o meu maior companheirismo?". Ele respondeu: "Sua mãe". O homem perguntou: "E depois, quem?" O Profeta disse: "Sua mãe". O homem perguntou: "E depois, quem?" O Profeta repetiu: "Sua mãe". De novo, o homem perguntou: "E depois, quem?" O Profeta finalmente disse: "(Então) seu pai".[1] (http://www.islamreligion.com/pt/articles/393/#_ftn12352)

"E recomendamos ao ser humano benevolência para com seus pais. Sua mãe carrega-o penosamente e o dá à luz, penosamente. E sua gestação e desmama são, ao todo, de trinta meses, até que quando ele atinge sua força plena e alcança os quarenta anos, ele diz: "Meu Senhor! Conceda-me o poder e a habilidade para agradecer-Te a graça com que me agraciaste a mim e a meus pais, e a fazer o bem que Te agrade, e conceda-me boa descendência. Verdadeiramente, volto-me arrependido para Ti e, por certo, eu sou dos muçulmanos (submisso à Tua Vontade)."" (Alcorão 46:15)

Conclusão

Existe no Islão um princípio geral que afirma que o que é bom para um é bom para outro. Ou, nas palavras do Profeta:

"Nenhum de vocês verdadeiramente crê até que ame para o seu irmão o que ama para si mesmo." (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)

Como se poderia esperar, esse princípio encontra sua maior expressão em uma família muçulmana, o núcleo da sociedade islâmica. Entretanto, a dedicação do filho aos seus pais é, na verdade, estendida a todos os idosos da comunidade. A misericórdia e preocupação que os pais têm por suas crianças é igualmente estendida a todos os jovens. Na verdade, é como se o muçulmano não tivesse escolha nessas questões. Afinal, o Profeta disse:

"Aquele que não demonstra compaixão com as nossas crianças e nem honra os nossos idosos, não é de nós." (Abu Dawood, Al-Tirmidhi)

É alguma surpresa, então, que tantas pessoas, educadas como não-muçulmanas, encontrem o que estavam procurando, o que elas sempre acreditaram como sendo bom e verdadeiro, na religião do Islão - Uma religião onde elas são imediata e calorosamente bem-vindas como membros de uma família amorosa.

"A virtude não está em voltardes as faces para o oriente e para o ocidente. Mas a virtude é a de quem crê em Deus, no Último Dia, nos anjos, no Livro, e nos Profetas; quem concede sua riqueza, embora a ela apegado, aos parentes, órfãos, pobres, ao viajante, aos pedintes, e para libertar os escravos. E aqueles que oram, pagam o zakat, honram seus pactos, e são perseverantes na adversidade e no infortúnio e em tempo de guerra. Esses são os verídicos. E os que temem a Deus." (Alcorão 2:177)

___________________________________________
[1] (http://www.islamreligion.com/pt/articles/393/#_ftnref12352) Narrado em Saheeh al-Bukhari e Saheeh Muslim.

florache
08-02-2009, 23:07
Saudações!

Este post faz pensar em muitas coisas, inclusive no controverso estatuto da mulher, que tem vindo a ser motivo de discussão. Na minha opinião, as pessoas deviam encarar as diferenças como algo benéfico, na Natureza há muitas coisas diferentes, e todas elas são importantes, a diferença não confere mais ou menos importância; se a mulher e o homem são seres distintos, logo serão distintos em matéria de certas funções, sensibilidade, etc. Mas não é por isso que são pessoas inferiores; acho que esse tipo de pensamento só levaram a extremismos quer feministas, quer machistas. As pessoas só superam as dificuldades em conjuntos, a Vida é um grande corpo em que todas as partes são vitais.

A educação dos filhos é importante, porque as pessoas são o que fazemos delas, em grande parte. Deve existir uma transmissão de valores humanos e religiosos [ que a meu ver são intrínsecos ]

E depois ninguém se pode esquecer do amor aos velhinhos, que são a prova fiel do que passou e ninguém se pode esquecer do valor de cada humano, esteja ele no começo ou no fim da vida.

Cumprimentos,

~Florache.

Ines_Pt
09-02-2009, 19:30
Na verdade, nós (homens e mulheres) somos diferentes... tal como as nossas responsabilidades que também são diferentes mas iguais na importância.

curioso
09-02-2009, 20:59
Caro Tayeb

Sbscrevendo o que escreveu e citou, apenas no que diz respeito aos mais velho, não sou capaz de deixar de pensar que os valores ai referidos são transversais a todas as religiões do Livro.

Isto não significa que esteja a desvalorizar a importância do que diz, mas mais a criticar uma sociedade cuja matriz é judaica e cristã, e tem andado arredada desses valores.

Como sabe eu costumo dizer que vamos ser egoistas e tratar os velhos bem para quando chegarmos a velhos tambem sermos bem tratados.

A minha duvida é outra. Tem a ver com o papel da mulher.

Como perceberá não concordo com os papeis diferentes para homem e mulher, cabendo a esta a gestão do lar e a ele o seu sustento.

Não essa a minha questão. A questão é perceber o que se diz a uma jovem muçulmana que estudou, que quer ter uma carreira ( sabendo o que isso significa em termos de sacrificios de horários de disponibilidade etc. ) quer ser senhora do seu destino, quer ser independente financeiramente do seu marido e que passa tantas ou mais horas que ele fora de casa.

Percebo que para muitas mulheres aquilo que diz seja passifico. Mas tambem calculo que para muitas não o seja.

Tayeb
09-02-2009, 22:00
Caro curioso,

É claro que há mulheres muçulmanas que têm as suas carreiras. Como haveria uma muçulmana ser vista por uma médica muçulmana? Ou noutros contextos existiram e existem mulheres empresárias. A primeira esposa do profeta Bibi Khadija era uma rica empresária de Meca. Tudo que pertencia a Bibi Khadija era dela.

A mulher com o Islão teve o direito à propriedade e exercer profissão. Antes, na sociedade árabe, quando uma mulher casava-se tudo que lhe pertencia tornava-se propriedade do homem. Costumo dizer à minha mulher, "tudo que é meu é nosso e tudo que é teu é teu". E posso dizer que a maioria dos muçulmanos pensam assim.

Embora o homem seja responsável por sua manutenção e protecção e pela liderança familiar, esta liderança deve ser exercida com base na consulta mútua "shura" e no carinho. Os papéis masculinos e femininos são considerados complementares e não requer subserviência do lado da mulher. Como membro da sociedade ela tem direito à educação, a adquirir e administrar propriedades através de herança ou ter trabalho remunerado.


Acredite-me que a minha casa funciona por consulta mútua, isto é "shura". Funciona por consenso e nunca por imposição minha. A minha filha mais velha é licenciada e a mais nova segue o mesmo caminho. Estudaram para terem independência financeira, caso seja necessário.

Ma'a-salaama,

Ines_Pt
09-02-2009, 22:10
Caro Tayeb

Sbscrevendo o que escreveu e citou, apenas no que diz respeito aos mais velho, não sou capaz de deixar de pensar que os valores ai referidos são transversais a todas as religiões do Livro.

Isto não significa que esteja a desvalorizar a importância do que diz, mas mais a criticar uma sociedade cuja matriz é judaica e cristã, e tem andado arredada desses valores.

Como sabe eu costumo dizer que vamos ser egoistas e tratar os velhos bem para quando chegarmos a velhos tambem sermos bem tratados.

A minha duvida é outra. Tem a ver com o papel da mulher.

Como perceberá não concordo com os papeis diferentes para homem e mulher, cabendo a esta a gestão do lar e a ele o seu sustento.

Não essa a minha questão. A questão é perceber o que se diz a uma jovem muçulmana que estudou, que quer ter uma carreira ( sabendo o que isso significa em termos de sacrificios de horários de disponibilidade etc. ) quer ser senhora do seu destino, quer ser independente financeiramente do seu marido e que passa tantas ou mais horas que ele fora de casa.

Percebo que para muitas mulheres aquilo que diz seja passifico. Mas tambem calculo que para muitas não o seja.


E quem te disse Curioso que as mulheres não podem ter uma carreira? Mas não está ao encargo delas as despesas da casa!

Ines_Pt
09-02-2009, 22:14
Concordo plenamente com o que o Tayeb disse!

curioso
10-02-2009, 11:35
Caro Tayeb

Obrigado pela resposta. Foi muito esclarecedor.

Cara Ines

A minha pergunta foi sem intenção maliciosa. Li o texto e percebi da forma que questionei.

Como não sou muçulmano, pergunto quando tenho duvidas. E como o Tayeb e outros têm sempre a paciência, que agradeço, de me responder, hoje percebo melhor o Islão do que quando comecei a consultar esta forum.

Ines_Pt
11-02-2009, 15:19
Caro Tayeb
Cara Ines

A minha pergunta foi sem intenção maliciosa. Li o texto e percebi da forma que questionei.

Como não sou muçulmano, pergunto quando tenho duvidas. E como o Tayeb e outros têm sempre a paciência, que agradeço, de me responder, hoje percebo melhor o Islão do que quando comecei a consultar esta forum.

Caro Curioso!

Peço desculpa se fui um pouco rispida consigo! Na verdade poe vezes falta-me a paciência... por favor aceite as minhas desculpas!

curioso
11-02-2009, 15:53
Cara Ines

Desculpas aceites, embora desnecessárias porque não senti qualquer ofensa!

Ines_Pt
11-02-2009, 16:09
Cara Ines

Desculpas aceites, embora desnecessárias porque não senti qualquer ofensa!

:D Não foi mesmo a minha intenção... ofender!