Vizualizar Versão Completa : Sarilhos?
8ODom José Policarpo advertiu as jovens portuguesas que casar com muçulmanos pode causar uma carga de sarilhos. O Cardeal Patriarca de Lisboa diz que «nem Ala sabe onde acabam os problemas».
Estou chocada com o que este homemzinho diz. Eu e muitas outras pessoas somos casadas com muçulmanos e não me parece que isso traga sarilhos.
O que faz os sarilhos são as dificuldades que em muitas situações burocráticas nos põem.
Declarações infelizes do Cardeal
O que ele deveria dizer é que qualquer casamento inter-religioso as partes deveriam primeiro conhecer mutuamente a religião do outro e perceber se estão preparados para dar esse passo.
De resto das declarações do Cardeal resulta o próprio desconhecmento que ele diz existir sobre o Islão, na medida em que nem sequer sabe que um muçulmano está obrigado a permitir liberdade de culto à sua esposa.
(http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=382343&tema=27)http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=382343&tema=27
(http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=382343&tema=27)
O Cardeal Patriarca considera que comunidade islâmica é "fechada sobre si própria" e não aceita a crítica
O Cardeal Patriarca de Lisboa alertou as jovens portuguesas que o casamento com um muçulmano acarreta um ?monte de sarilhos? devido ao fosso entre as duas culturas. D. José Policarpo admite que a comunidade cristã é muito ignorante em relação à muçulmana, sendo o conhecimento o primeiro passo para um diálogo, que classifica de ?muito difícil?. A comunidade islâmica não comenta, para já, as declarações do cardeal.
Só é possível dialogar com quem quer dialogar. Por exemplo, com os nossos irmãos muçulmanos o diálogo é muito difícil?, respondeu no encontro ?125 minutos com Fátima Campos Ferreira?, realizado no auditório do Casino da Figueira da Foz.
?Estão a dar-se os primeiros passos, mas é muito difícil porque eles não admitem sequer (a crítica)?, disse, referindo-se à difícil relação com a crítica pela comunidade muçulmana. ?A verdade deles é única e é toda?, afirmou.
O representante da igreja católica portuguesa junto do Vaticano entende que a comunidade muçulmana aproveita o diálogo com os cristãos como um método para demarcar o seu espaço, ?como fazem os lobos na floresta?. D. José Policarpo acrescentou respeitar ?estes espaços? muçulmanos, num país maioritariamente católico, e considera que estão agora a dar-se ?os primeiros passos? no diálogo entre diferentes religiões.
As relações do Patriarcado com a comunidade muçulmana de Lisboa, composta por 100 mil fiéis, ?centrados à volta de três grandes mesquitas? são ?habitualmente boas e muito simpáticas?, classificou.
A comunidade islâmica em Portugal não vai reagir, de momento, às declarações de D. José Policarpo. O líder religioso da comunidade, o sheik David Munir, respondeu que a resposta será dada em comunicado e só após contacto com o Patriarcado.
Os responsáveis pela comunidade islâmica em Portugal confessam estar muito surpreendidos com as declarações do líder da igreja católica portuguesa.
Avisos contra casamentos entre católicos e muçulmanos
?Pensem duas vezes antes de casar com um muçulmanos. Nem Alá sabe onde é que acabam?, afirmou o cardeal, numa alusão às diferenças entre as duas religiões e respectivas tradições.
Este fosso será o principal factor que motiva o aviso ?às jovens portuguesas: cautela com os amores?. Se "uma jovem europeia de formação cristã, se casa com um muçulmano, a primeira vez que vá para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas. Imagine-se lá!?, prosseguiu.
O Cardeal Patriarca referiu conhecer ?casos dramáticos? de casamentos entre mulheres de formação cristã e homens muçulmanos, mas que não especificou.
Cristãos desconhecem fundamentos da religião muçulmana
Um dos principais entraves ao diálogo entre cristãos e muçulmanos é a ignorância relativamente a aspectos fundamentais da religião e que determinam posicionamentos de vida, considera D. José Policarpo.
?Nós somos muito ignorantes. Queremos dialogar com muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são. Quem é que, em Portugal, já leu o Alcorão??, questionou o representante máximo da Igreja Católica em Portugal.
?Se queremos dialogar com muçulmanos temos de saber o bê-a-bá da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar?, sublinhou.
O conhecimento de princípios essenciais da comunidade muçulmana facilitaria até as relações religiosas. D.José Policarpo justificou esta opinião, dando como exemplo ?um problema sério? que aconteceu na Cardeal de Colónia, Alemanha, cedida à comunidade muçulmana para uma cerimónia no Ramadão.
Após o ?empréstimo?, a comunidade muçulmana não abdicava da Catedral de Colónia, tendo sido necessária a intervenção policial. ?Os muçulmanos têm uma visão da sua religião em que o sítio onde se reúnem para rezar fica na posse deles. É o sítio onde Alá se encontrou com eles, portanto, mais ninguém pode rezar naquele sítio?, explicou.
in RTP
A edição do jornal da tarde vale bastante a pena ver
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=1098&idpod=21106&formato=flv
Na segunda parte aparece um conhecido de todos nós :lol:
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=1098&idpod=21107&formato=flv&pag=recentes&escolha=
Acabadinho de sair,,,o comunicado da comunidade islamica,,
Assunto: Comunicado da Comunidade Islâmica de Lisboa
Importância: Alta
Excelentíssimos(as) Senhores(as),
Em relação às declarações que os media atribuíram ao Senhor Patriarca
de Lisboa relativamente aos muçulmanos temos a dizer o seguinte:
- A Comunidade Islâmica de Lisboa não tem por hábito reagir de forma
precipitada, sem primeiro apurar de facto quais foram essas alegadas
declarações e em que contexto foram proferidas;
- No contacto havido com o Departamento das Relações Ecuménicas e do
Diálogo Inter-religioso do Patriarcado de Lisboa, tivemos conhecimento
directamente do conteúdo exacto das aludidas declarações que,
entretanto, tivemos oportunidade de ouvir e cujo conteúdo, depois de
nos ser explicado, entendemos, embora nos surpreenda em alguns
aspectos;
- Conhecemos bem o Senhor Patriarca de Lisboa e membros do
Departamento do Diálogo Inter-religioso, com quem mantemos relações
fraternas e cordiais e um diálogo frutífero, tendo havido
inclusivamente visitas, por várias vezes, de membros do Patriarcado e
do próprio Patriarca de Lisboa e, até mesmo, do Núncio Apostólico à
Mesquita de Lisboa, onde tivemos muita honra em recebê-los. E, por
isso mesmo, ficamos de alguma forma magoados com a escolha das
palavras do Senhor Patriarca de Lisboa, relativamente à nossa
Comunidade e ao diálogo que temos procurado com todas as Confissões
Religiosas e, em particular, com as Religiões Cristãs. É importante
referir que também do lado da Igreja, se verifica, desde há alguns
anos, uma forte aproximação a todas as outras religiões, incluindo a
Islâmica, tendo sido promovidos encontros bilaterais pelos Chefes da
Igreja Católica, com grande destaque para o Papa João Paulo II mas
também recentemente pelo Papa Bento XVI;
- No âmbito do recentemente criado Fórum Abraâmico de Portugal, tem
havido relações bastante cordiais e fraternas entre as três Religiões
Abraâmicas, incluindo assim a Cristã e, nomeadamente, a Católica;
- Poderemos interpretar as palavras do Senhor Patriarca, de certa
forma, como uma chamada de atenção para o necessário respeito pelas
diferenças, o que implica naturalmente um conhecimento mútuo -
incluindo o conhecimento da religião de cada um - e, muito em
especial, da tradição do outro, condições sine qua non para que
qualquer relação seja estável e duradoura, o que não será
necessariamente uma dificuldade quando estão em causa cidadãos do
mesmo país que, embora professando religiões diferentes, partilham da
mesma cultura e interagem na mesma sociedade;
- Os muçulmanos conhecedores da sua fé e do seu Livro Sagrado - o
Alcorão - têm de reconhecer e lidar com carinho com as chamadas
"Religiões do Livro", ou seja, com as Religiões Abraâmicas conforme
são designadas no nosso Livro Sagrado, para além de, naturalmente,
terem de as respeitar. Bem ilustrativos deste espírito islâmico são,
por exemplo, os casos de Jesus, que é um Profeta e Mensageiro de Deus,
e da sua Mãe, a Virgem Maria (Que a Paz e Bênçãos de Deus estejam com
eles) que, como tal, é bastante respeitada ao ponto de ter um capítulo
a si dedicado no Alcorão. Infelizmente, em diversas situações,
constata-se que o contrário não acontece na medida em que existe ainda
uma grande ignorância do outro em relação à Religião Islâmica. E esta
realidade verifica-se em relação a questões tão simples e elementares
como o caso da palavra "Allah" - Deus em Árabe - a que muitas vezes,
com total desconhecimento da realidade, se atribui o significado de
"Deus dos Muçulmanos". Se assim fosse, os cristãos, e mesmo aos
católicos, do Oriente, nomeadamente árabes, não usariam a palavra
"Allah" para se referirem a "Deus";
- Aproveitamos ainda esta oportunidade para reiterar o nosso empenho e
dedicação em continuar a contribuir para o desenvolvimento do diálogo
inter-religioso e inter-cultural que é, seguramente, um dos caminhos
para a construção de uma Comunidade Humana em que todos nós possamos
viver em plena harmonia.
Cumprimentos.
Waleikum Assalam WRwB
Abdool Magid Vakil
14.Janeiro.2009
Peregrino
14-01-2009, 19:42
São declarações pouco importantes e que não merecem grande atenção.
Problemas nos casamentos existem, os motivos são os mais variados.
Cá para mim, o Cardeal deixou escapar aquilo que deve ser preocupação dentro da igreja, a perda de influência da igreja.
Por maior ecumenismo que exista, as religiões estão em competição entre si, e por vezes dá em situações como a desta declaração.
Entretanto, pude ler uns quantos "especialistas" da religião dizerem que o cardeal tem toda a razão.
Um deles até conseguiu meter o Hamas no meio do tema hehehe.
Cada um sabe de si...
Realmente, o Sr. Cardeal não esteve bem. Sinceramente não sei qual terá sido o objectivo mas, de qualquer maneira, não deixa de ser um comentário infeliz, pois, na sua posição comentários desses não ficam nada bem. Talvez seja o desconhecimento que o tenha levado a falar assim. Não gostei quando ele disse: ..." o casamento com muçulmanos... trás tantos sarilhos que nem Alla sabe ..." "... o dialogo com muçulmanos é muito difícil..."
Espero que o Sr. Cardeal venha a conhecer melhor os muçulmanos.
PedroSilva
15-01-2009, 13:51
O cardeal esteve mal na forma, sem dúvida.
Quanto ao conteúdo, pode ter alguma razão: já aqui, neste forum, algumas pessoas chamaram a atenção para alguns problemas que, por vezes, surgem nos casamentos inter-religiosos. Uma das coisas que faltou foi, na minha opinião, dizer POR VEZES; e também explicar melhor que problemas são esses, pois se calhar ele referia-se a 'alhos' e fica no ar a ideia de 'bugalhos' .
E pode ter alguma razão quando refere a perespectiva e a relação que os muçulmanos têm entre a 'sua verdade' e 'a verdade dos outros'.
As religiões não podem deixar de defender aquilo em que acreditam. Não há cedências nos fundamentos da fé, mas é possível acompanhar a crença nesses fundamentos com a consciência de ela, a crença, ou a fé, pode ser absoluta para cada um mas que as diferentes fés são relativas umas perante as outras.
E mesmo que a verdade, na religião - e em cada religião - pode não impedir a verdade, ou pelo menos a aproximação à verdade de outras religiões. E isto será mais do que reconhecer que "Jesus era um profeta, logo, sim cristãos, vocês estão em parte certos, mas não tanto como julgam". Não consigo pôr o que sinto por palavras, mas trata-se de reconhecer qualquer coisa como o encontro com o divino que se alcança nas outras religiões, e isto é um desafio para todas elas.
Vou dar um exemplo tirado do comunicado da Comunidade Islâmica que o Molana colocou aqui, e que é bem ponderado e amistoso. Só que, e se calhar vou ser 'picuinhas', tem uma frase que me chamou a atenção:
"Bem ilustrativos deste espírito islâmico são,
por exemplo, os casos de Jesus, que é um Profeta e Mensageiro de Deus,
e da sua Mãe, a Virgem Maria (Que a Paz e Bênçãos de Deus estejam com
eles) que, como tal, é bastante respeitada ao ponto de ter um capítulo
a si dedicado no Alcorão."
O que me chamou a atenção foi a parte "... Jesus, que é um Profeta e Mensageiro de Deus..."
Há todo o direito em dizê-lo, mas se fosse eu poria "Jesus, que PARA NÓS é um profeta...."
Ao dizer isto não se abdicava em nada da perspectiva islâmica sobre Jesus, mas também não reclamava em absoluto e para todos a 'certeza' que só a fé pode dar para cada um. Não determinava (e terminava) o assunto, apenas o enquadrava na tradição e na fé islâmica.
Se se procurar no que dizem os católicos, certamente também se encontram exemplos destes, se bem que a 'hierarquia' tenha ultimamente manifestado outros cuidados, parece-me.
Mas é só um exemplo, que talvez nem tenha aquele siginificado, de que todas as religiões precisam realmente de se conhecer melhor umas às outras.
Qual a diferença entre o que disse o Cardeal ( que eu acho errado ) e uma fatwa ( desculpem se estiver mal escrito ) aqui citada no forum onde se proibe o casamento de uma mulher muçulmana com um não muçulmano.
Atenção que o Cardeal não proibe!
Peregrino
15-01-2009, 18:51
Qual a diferença entre o que disse o Cardeal ( que eu acho errado ) e uma fatwa ( desculpem se estiver mal escrito ) aqui citada no forum onde se proibe o casamento de uma mulher muçulmana com um não muçulmano.
Atenção que o Cardeal não proibe!
Bem lembrado.
Existe pouca diferença.
No Islão, dizem os sábios que não é permitido pela religião tal casamento ( isto faz a diferença)
Minha opinião é diferente, mas vale o que vale...
No catolicismo ao que sei não é permitido o casamento entre pessoas de religiões diferentes. Estarei equivocado?
O Cardeal não precisa proibir, pois para se casar na igreja é preciso ser católico ( de novo, preciso encontrar a confirmação).
O cardeal limita-se a comentar os casamentos do civil.
Penso que na prática acaba igual.
Possivelmente na mesquita irão recusar realizar o casamento entre uma muçulmana e um não muçulmano ( sem certezas, o Orlando, se não erro, chegou a referir conhecer casos de casamentos nestas condições).
Nada impede a muçulmana casar no civil com o não muçulmano.
Peregrino
15-01-2009, 18:59
O breve pesquisa pela internet indica-me que a igreja católica aceita casamentos mistos.
Se forem não cristãos ( sem qualquer tipo de baptismo), o procedimento é a disparidade de Culto.
É preciso ter uma dispensa de impedimento por tarde das autoridades religiosas
Caro Peregrino
De facto a ICAR permite o casamento desde que haja o requerimento a pedir o casamento com disparidade de culto.
Eu casei dessa forma.
Como vê o Cardeal que poderia optar por uma posição tão conservadora como a de proibir escolheu alertar ( mal, e de forma pouco conhecedora ) para os "perigos".
Mas podemos levantar uma outra questão.
Pode um muçulmano casar com uma católica seguindo o ritual do casamento católico?
Tendo sempre em conta que nesse ritual ele jura perante Deus, que é o mesmo, educar os seus filhos de acordo com a fé católica.
Ou será que apenas é permitido ao homem muçulmano casar com uma católica de acordo com os rituais muçulmanos?
Mas ai não estara a mulher católica a incumprir um dos sacramentos da fé católica.
Nesse caso o homem que tem a obrigação de respeitar as crenças da mulher não tem tambem a obrigação de aceitar que a mesma queira cumprir os seus sacramentos?
Já estou confuso.
Olhem cada um que faça o que quiser, desde que actue em consciência.
O breve pesquisa pela internet indica-me que a igreja católica aceita casamentos mistos.
Se forem não cristãos ( sem qualquer tipo de baptismo), o procedimento é a disparidade de Culto.
É preciso ter uma dispensa de impedimento por tarde das autoridades religiosas
Um amigo meu, para casa na igreja, como não tinha a comunhão feita, teve que a fazer...
Conheço tambem outros padres que exigem em outros casa o baptismo...
assim... não vejo como a igreja permita casamentos mistos.
Hanifa
Eu casei assim.
Faz-se opedido na paroquia a que se pertence, e este pedido é remetido para a diocese.
Casei eu e 80% dos meus amigos.
Do que ninguem se livra é das aulas de preparação para o casamento. Verdadeiro monomento ao tédio.
Onde a ICAR é irredutivel é no baptismo. Ai os padrinhos têm que ser baptizados.
União entre pessoas de credos diferentes deve ser pensada”
Regional | 2009-01-15 10:12
A afirmação é do empresário Aboobakar Choonara, muçulmano residente nos Açores. Depois de duas uniões com mulheres católicas, entende as declarações de D. José Policarpo, sobretudo por causa da educação religiosa dos filhos
A ideia de que os casamentos entre pessoas de confissões religiosas diferentes, sobretudo entre católicos e muçulmanos, como alertou anteontem o Cardeal Patriarca de Lisboa, deve ser ponderada, mereceu algum repúdio mas não deixa de merecer a concordância de alguns sectores.
Um dos muçulmanos residentes nos Açores há mais de 20 anos, Aboobakar Choonara, empresário, alerta para as dificuldades que podem surgir. Sobretudo se o casamento se desfizer.
“Há questões que têm de ser bem pensadas sobretudo no que respeita à educação religiosa dos filhos, que têm de ser acauteladas desde o princípio”, alerta este muçulmano integrado na comunidade local mas que continua a praticar o islamismo, seguindo, diariamente, os mandamentos do Corão.
Apesar de compreender “algum sentido” nessas palavras, Choonara não deixa de considerar “lamentáveis” as declarações do Cardeal Patriarca, refutando a ideia de que as mulheres que optam por casar com muçulmanos possam estar a “meter-se em sarilhos”, como afirmou o líder da igreja católica portuguesa.
“Bem pelo contrário”, adianta afirmando que “uma mulher que case com um muçulmano, estará mais protegida porque, segundo a lei islâmica, o marido será responsável pelo seu sustento e bem-estar permanentes, a menos que ela decida separar-se e volte a casar-se”.
Segundo este muçulmano, os islâmicos “não são menos flexíveis” que os católicos na defesa dos seus princípios religiosos. A interpretação que fazem, desde cedo, das escrituras e a sua adequação à realidade do dia a dia é que é diferente e isso “pode ser considerado inflexibilidade”, remata. No entanto, não tem dúvidas de que as mulheres muçulmanas “têm mais direitos que as ocidentais” e “não há nada na lei corânica que obrigue sequer uma mulher a abdicar do seu credo para se converter ao islamismo”. Essa obrigação só surge caso ela “não seja seguidora das escrituras, seja a Bíblia ou a Tora”.
Para a Diocese de Angra, a questão também não é pertinente, porque a integração da comunidade islâmica nos Açores é total e a sua expressão muito reduzida. Apenas vivem em permanência nos Açores cerca de 15 muçulmanos, embora a população muçulmana flutuante seja superior, rondando os 60 elementos, sobretudo trabalhadores guineenses.
Embora não haja formalmente qualquer relação, “mantemos algum convívio social pontual com eles”, referiu ao Açoriano Oriental Online o responsável pelo Secretariado Diocesano para a Mobilidade Humana.
No ano passado foram feitas duas celebrações ecuménicas, às quais os muçulmanos, tal como outras confissões religiosas, não faltaram.
“Respeito e amizade” são as duas palavras que Costa Freitas utiliza para apelidar as relações da Igreja Católica com os muçulmanos. Ou com qualquer outra confissão, pois “só nos procuram por razões assistenciais e não espirituais”, acrescenta.
As declarações de D. José Policarpo na Figueira da Foz alertando as jovens portuguesas para” o perigo do casamento com muçulmanos” e as “dificuldades” do diálogo inter-religioso com esta comunidade radicada em Portugal, deixaram a comunidade islâmica “magoada”.
“Cardeal Patriarca foi infeliz” diz AIPA
As declarações do cardeal Patriarca de Lisboa são “infelizes” e ”confundem a parte com o todo”. A opinião foi manifestada ao Açoriano Oriental Online pelo presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA), Paulo Mendes.
Embora em Portugal os esforços para estabelecer um “verdadeiro e profícuo” diálogo inter-religioso, sejam “menos conseguidos” quando comparados com o procedimento noutros países europeus, “afirmações como esta ainda prejudicam mais a situação”, diz o dirigente da AIPA. Paulo Mendes diz que pessoas com responsabilidade,” como é o caso” de D. José Policarpo, “não podem ter deslizes destes”, sobretudo “num momento de tensão como o que estamos a viver”. Segundo Mendes, “há extremistas em todas as religiões” e a construção de uma sociedade plural e tolerante só se consegue “se houver respeito”. Por isso, remata, afirmações como esta, ainda que percebendo o contexto, “devem ser evitadas a todo o custo”.
Carmo Rodeia
http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/178636
Peregrino
15-01-2009, 21:43
Confesso que não estou com grande vontade em ir ler o site do Vaticano:srverde:
...
Como disse, é preciso pedir autorização, imagino que depende da boa vontade do clérigo.
Na minha modesta opinião acho que este senhor disse um tremendo disparate fruto da sua ignorância. Qualquer relacionamento que seja deve ser bem pensado. Independentemente da religião, quantos casais não há em que um dos cônjuges é crente e o outro não (isso acontece no Cristianismo) e não terão sarilhos por isso? logo o seu discurso foi bastante infeliz.
O que me parece é que da sua parte houve uma confusão entre Islão e culturas, nomeadamente árabe.
Peregrino
15-01-2009, 22:11
1637. Nos casamentos com disparidade de culto, o esposo católico tem uma tarefa particular a cumprir, «porque o marido não-crente é santificado por sua mulher e a mulher não-crente é santificada pelo marido crente» (1 Co 7, 14). É uma grande alegria para o cônjuge cristão e para a Igreja que esta «santificação» leve à conversão livre do outro à fé cristã (Cf. 1 Co 7, 16). O amor conjugal sincero, a prática humilde e paciente das virtudes familiares e a oração perseverante podem preparar o cônjuge não-crente a acolher a graça da conversão.
http://www.vatican.va/archive/catechism/part_2/documents/cathechism_part-2-section-2-chapter-3-art.-7_po.html
_________________________________
Foi uma pesquisa rápida e de leitura mais rápida ainda.
Só faltou esclarecer em absoluto se isto se aplica a não cristãos.
Pude ver que o casamento é desaconselhado pelos mesmo motivos de outras religiões, a saber:
Educação das crianças e possível afastamento da religião.
Motor de busca do Vaticano (http://gsearch.vatican.va/search?site=default_collection&client=default_frontend&output=xml_no_dtd&proxystylesheet=default_frontend&proxycustom=%3CHOME/%3E)
Peregrino
15-01-2009, 22:15
É bom ter notícias de Aboobakar Choonara
Não sei se ouviram hoje na TSF o Ricardo Araújo Pereira ele citou que se reparem o Cardinal não falou que seria um sarilho casar com uma muçulmana e\ou muçulmanos... Apenas casar com um muçulmano é monte de sarilhos.
Usar a palavra sarilhos em Portugal dá azar se ele dissesse "será uma problemática" não haveria problema.
Ah que pensar positivo pois normalmente tudo que a Igreja proíbe é bom.
Agora fora do humor do Rap
Eu percebi bem o que o senhor queria dizer, mas ele esquece-se que nem todos os muçulmanos têm de ser não portugueses.
Fico surpreso por me estarem a dizer que se pode casar mas continuo achar impossível mas prontos ao menos não dizem coisas ridiculas para tentar evitar casamentos entre muçulmanas com não muçulmanos mas vale o que vale
ZeAntonio
19-01-2009, 15:08
Li hoje o comunicado da Associação Ateísta Portuguesa sobre este assunto, qual a vossa opinião?
"A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), sem se rever nos conselhos do Sr. Patriarca, José Policarpo, às católicas jovens que eventualmente queiram casar com muçulmanos, manifesta-lhe pública solidariedade perante a onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar.
Carecem de legitimidade moral para condenar o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo, os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal.
Antes de se manifestarem ofendidos com o cardeal, os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente e o carácter implacavelmente misógino do Islão. Face a qualquer mullah até Bento XVI parece um defensor dos Direitos do Homem.
Quem pretende que compreendam os seus preconceitos tem de os explicar com clareza. E quem quiser que respeitem as suas crenças tem de demonstrar que estas merecem algum respeito. Falta aos muçulmanos europeus explicar a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse o único profeta. Falta-lhes justificar porque havemos de respeitar as suas crenças acerca das mulheres, dos apóstatas, dos outros crentes, dos ateus e de todos que critiquem a sua religião.
Mas compete também aos bispos católicos fazer o mesmo. Explicar o que fez a sua religião pela democracia e pelo livre-pensamento, sabendo-se que a derrota política da Igreja está na origem das liberdades individuais de que gozamos. E justificar porque hão de merecer respeito as crenças católicas acerca das mulheres, do divórcio, do sacerdócio, da homossexualidade e do que é ou não é pecado.
Não são só os muçulmanos que criam um ?monte de sarilhos? sem necessidade. A AAP recorda que as três religiões do livro ? judaísmo, cristianismo e islamismo ? são anti-humanas e patriarcais. A misoginia não é uma tara exclusiva do Islão mas apanágio do texto bárbaro da Idade do Bronze ? o Antigo Testamento ?, herdada pelas referidas religiões. O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.
As três religiões não têm feito mais do que reproduzir esses valores cruéis e obsoletos sendo o Islão, actualmente, a religião que mais implacavelmente se bate pela manutenção do obscurantismo.
A AAP reitera o seu firme propósito de defender as liberdades, nomeadamente a religiosa, do mesmo modo que defende o direito à descrença e à anti-crença.
Odivelas, 18 de Janeiro de 2009"
Peregrino
19-01-2009, 17:21
Ateus radicais era só o que faltava :lol:
Esse comunicado é totalmente intolerante e irracional.
Convivo com os meios ateus há anos, e os ateus militantes são do mais intolerante que existe. Muitos ateus sentem-se inclusive aborrecidos pelo comportamento dos militantes.
A arrogância, a agressividade e acusações apressadas e generalizações várias, somente servem para tornar os teístas mais firmes em sua religião e adversos aos ateus.
Ateus deviam é preocupar-se em desmistificar sua posição filosófica e não em agredir.
A promoção do cepticismo e racionalidade não se faz com agressões e manifestações de ignorância sobre a religião.
....................
Sobre o texto propriamente dito, é ignorante demais...
Não fazem a mínima ideia do que é o Islão, pegam em parcelas para usar como arma de arremesso.
Desconhecem quais as posições dos portugueses muçulmanos sobre o assunto.
Sobre respeitar a crença muçulmana.
Eu digo-lhe porque o devem fazer.
Para que sejais respeitados na vossa descrença.
Criticas, aceitasse, e relevantes comentasse, os absurdos deixamos de lado...
Já juntar um monte estereótipos e lançar isso como a crença dos muçulmanos é estúpido, irracional e contra-producente.
Nota: O ateísmo já foi parte oficial do projecto de certos países em criar um Homem novo, deu no que deu...
Nota2: Nada tenho contra o ateísmo, só considero absurdo a prática militante ateia.
Vivemos em sociedade laica, e deste modo deve prevalecer, espaço para TODOS, e não só para vocês ou quaisquer outros radicais a quererem impor o seu modo de vida.
Peregrino
19-01-2009, 17:28
Para os descrentes o Alcorão diz:
109.1 . Dize: Ó incrédulos,
109.2 . Não adoro o que adorais,
109.3 . Nem vós adorais o que adoro.
109.4 . E jamais adorarei o que adorais,
109.5 . Nem vós adorareis o que adoro.
109.6 . Vós tendes a vossa religião e eu tenho a minha.
2.256 . Não há imposição quanto à religião, porque já se destacou a verdade do erro. Quem renegar o sedutor e crer em Deus, Ter-se-á apegado a um firme e inquebrantável sustentáculo, porque Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo.
Ateus, sois bem vindos neste espaço.
Gostava de ver quais as vossas dúvidas e certezas.
Sabei apenas que segundo as regras é interdito ofender profetas, Alcorão.
Em suma, podem questionar, jamais ofender a crença alheia.
Estou certo que sois capazes de encontrar palavras adequadas para colocar as vossas questões.
Peregrino
19-01-2009, 17:34
E só mais uma coisa, Zé António.
Como foi você quem colocou o texto é a si que me dirijo.
Se tiver verificado, as posições das pessoas neste espaço foram variadas.
Os comunicados oficiais são sem qualquer polémica.
Era escusado os ateus juntarem um monte de preconceitos para criticarem sobre uma questão cuja a relevância diz respeito às relações entre católicos e muçulmanos.
E pelo que observei, ambos levaram a coisa com bastante tranquilidade.
Caro Peregrino
Vá ler o blog Diario Ateista.
Junte os mais radicais de cada uma das religiões do livro e são menos radicais e intolerantes que os autores desse blog.
Peregrino
19-01-2009, 18:21
Caro Peregrino
Vá ler o blog Diario Ateista.
Junte os mais radicais de cada uma das religiões do livro e são menos radicais e intolerantes que os autores desse blog.
É o que pensava :lol:
Lá fala-se da campanha publicitária ateia em curso pela Europa.
Sobre isto um ateu brasileiro disse:
"O objetivo de uma campanha ateista deveria ser reduzir a carga de preconceito em relação aos ateus e não estimular ainda mais a animosidade com uma provocação idiota destas.
Sinceramente acho até que quem seria mais adequado para elaborar uma campanha para diminuir o preconceito aos ateus seria o Maykon Camargo ou até mesmo o Padre Zezinho e não o Daniel Sottomaior com seu ranço, beirando ódio, aos religiosos!"
ZeAntonio
19-01-2009, 23:18
Ateus, sois bem vindos neste espaço.
Gostava de ver quais as vossas dúvidas e certezas.
Sabei apenas que segundo as regras é interdito ofender profetas, Alcorão.
Em suma, podem questionar, jamais ofender a crença alheia.
Estou certo que sois capazes de encontrar palavras adequadas para colocar as vossas questões.
Só para o esclarecer que não sou ateu e que frequento este espaço, com a unica intenção de tentar compreender o Islão e os islâmicos, aliás, frequento outros sitios com a mesma intenção, e não tive o intuito de ofender ninguém.
Só queria saber a vossa opinião sobre o comunicado, nada mais.
Cumprimentos
Peregrino
20-01-2009, 00:04
ZeAntonio,
Tudo bem.
A minha opinião é toda sobre o texto colocado por você.
Não penso que tenha ofendido.
Martinho Yusuf
21-01-2009, 02:06
Mais chocado ainda estou eu, esse "senhor" disse as aneiras que disse, na minha terra, onde eu nasci e onde vivo com a minha mulher que é muçulmana, assim como eu sou agora, GRAÇAS A ALLAH.
Martinho Yusuf
21-01-2009, 23:39
s3
Há alguma diferença, no caso do casamento civil, depende onde se faz o casamento. Se fôr em Portugal, nesse caso a religião não tem nada a haver com o acto. Mas se fôr num País Islamico já se torna diferente, a Lei Básica do País está baseada no Grande Livro e nesse caso fica logo inveabilizada a possibilidade de um casamento entre um(a) muçulmano(a) e alguém não muçulmano.
A Igreja Católica tem outras proibições, por exemplo, há padres que negam fazer o baptismo a um filho de um casal não casado pela Igreja,mas também não casa pela Igreja um casal em que um dos dois se tenha divorciado...então casar um(a) católico(a) com um não católico, isso nem pensar. Muitas outras, muitas outras... algumas bem escondidas...
Tenho uma amiga que teve que se casar pela igreja para a filha poder fazer a 1.ª comunhão, a moça fez o batismo e a 1.ª comunhão mas os pais foram "obrigados" a casar pela igreja, não percebo a necessidade. Ela já tinha idade para escolher a religião que queria. O pior deste casamento pela igreja é que quando aconteceu a relação já tinha os dias contados, de que valeu?
El Cairo
27-01-2009, 01:49
Salam,
Também eu fico com vergonha das palavras que esse senhor proferiu. "Sarilhos" talvez quisesse ele arranjar ao dizer tamanha burrice! Mas vozes de burros não chegam ao céu e, como tal não são para ser levadas em conta, muito embora as palavras firam por demais.
É por estes motivos que o mundo não rola, por pessoas mesquinhas e preconceituosas e que gostam de arranjar elas próprias "sarilhos" tal como esse senhor.
Junto-me a todos os muçulmanos e expresso aqui as minhas palavras de indignação e de vergonha quanto a este triste episódio.
Lamento que uma pessoa de certa idade e que deveria, no mínimo, ter alguma formação, se tenha comportado como um simples néscio.
Boa noite a todos,
El Cairo
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