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Vizualizar Versão Completa : Um olhar dentro do meu mundo


RC
09-02-2004, 22:22
Poema

Zieba Shorish-Shamley
tradução: Denise Arcoverde



Eles me fizeram prisioneira em grilhões e correntes
Você sabe qual é minha culpa? você sabe qual é o meu pecado?
Esses selvagens ignorantes, que não podem ver a luz
Continuam a me bater e oprimir, para mostrar que podem fazer isso

Eles me fazem invisível, em mortalhas e não existente
Uma sombra, uma não-existência, silenciada e não vista
Sem direito à liberdade. confinada na minha prisão
Diga-me, como suportar minha raiva e furor?

Eles destruíram meu país e o venderam ao invasor
Eles massacraram meu povo, minhas irmãs e minha mãe
Eles mataram todos meus irmãos, sem um pensamento

O reinado que eles impuseram, ordena o ódio e a fúria
Chacina crianças e idosos, sem julgamento, defesa ou júri
Bane a arte e os artistas, pune os poetas e escritores
Vende drogas e rumores, nutre lutadores terroristas

Na indigência e miséria eu sigo nessa vida
Eu continuo tentando conter o conflito
Você poderia me dar uma resposta? Sabe qual é a minha escolha?
Serei eu uma fonte do demônio? Você pode ouvir minha voz?

Essa é minha religião? É esse o caminha da cultura?
Eu mereço esse destino de ser entregue aos abutres?
A dor é tão intensa, devo acabar com minha vida?
Tomando um copo de veneno?
Apunhalando meu coração com uma faca?

Minha terrível culpa é baseada no meu gênero
casamento forçado, prostituição. minha venda pelo delinqüente
Buscando um caminho para compensação, encontrando injustiça cruel
Pega no círculo vicioso, ganha a paz? e ganha a justiça?

Presa na teia do horror. Desespero, medo, aspereza
Perdida no mundo do terror, a morte está perto e a escuridão
O mundo é acossado com a surdez, silêncio, frieza e inércia
Ninguém ouve meus lamentos, ninguém divide meu tormento

Ouça o tufão rugir, esse é o meu gemido
Olhe a chuva do furacão, minhas lágrimas sem grades
A raiva do vulcão propaga meus gritos
A cólera do tornado, a visão dos meus sonhos

Ouça me, sinta minha dor, você precisa compartilhar meu sofrimento
Poderia ser você nas correntes, se não hoje, amanhã
Junte-se a mim na resistência, sem parada ou pausa
Nós podemos derrotar esse demônio, ser vencedoras da minha causa

Essas regras não podem me deter, eu vou desafiar e lutar
Para alcançar a alvorada da liberdade, eu busco a luz da justiça
Eu vou esmagar esses dominadores, eu vou queimar essa jaula
Eu vou derrubar esses muros, nesse maldito inferno!


Dedicado a todas as minhas irmãs afegãs e todas as mulheres que
sofrem a mesma situação

Peregrino
12-06-2009, 00:44
Enquanto pesquisava, vi este poema de novo.
Vale a pena recordar também.