Vizualizar Versão Completa : Casamento - deveres e direitos
Patricia391
16-08-2007, 13:41
Olá a todos,
É a primeira vez que visito este blog.
Sou cristã e busco respostas sobre casamento muçulmano - direitos e deveres.
Meu marido deseja converter-se em muçulmano. Uma das principais razões é o facto de desejar ter outra mulher, por sua vez muçulmana, que conheceu há pouco tempo.
Acontece que amo meu marido e desejo a sua felicidade mas seu comportamento mudou comigo. Pretende que eu abdique do nosso quarto para estar com ela. Pretende que eu continue a trabalhar, enquanto ela fica em casa a espera dele. Ate falou em arranjar empregada para ela não fazer nada em casa. Amo meu marido mas sinto seu coração injusto. E se meu marido deseja ser muçulmano, eu so desejo conhecer a Lei muçulmana para saber se ele está sendo correcto comigo ou não.
Dentro de 15 dias essa mulher muçulmana chega em nossa casa.
Pergunto: Onde me posso dirigir em Portugal - Lisboa, para buscar conselho e paz para minha alma?
Peregrino
16-08-2007, 14:46
Olá
O que importa é a lei portuguesa e esta ao que sei não permite a poligamia.
Do ponto da religião o seu marido deverá ter o seu consentimento.
É sempre complicado dizer a uma pessoa como encontrar paz.
Penso que o diálogo é importante, converse com o seu marido. Se desejar saber se o seu marido fala a verdade sobre a religião talvez devesse visitar uma mesquita.
Espere que consiga encontrar a melhor solução e que Deus lhe permita ter paz.
Patricia391
16-08-2007, 17:25
Agradeço a sua resposta.
De facto, pela Lei Portuguesa, a poligamia não é permitida. o que levanta outra questão. Que acontece aos matrimonios islamicos que se mudam para Portugal? A lei tambem se aplica em casos em que a poligamia já existe?
E já falei com meu marido em varias ocasioes, mas não é pessoa muito receptiva a dialogos. Para ele, a lei é ele. E eu estou sozinha.
De qualquer modo, obrigado. Estou a chegar a conclusão de que a Paz que busco só eu mesma posso encontra-la.
So peço a quem leia esta mensagem que se sabe de algum local onde me possa dirigir em Lisboa / Portugal para aprender um pouco mais sobre os direitos e deveres do matrimonio muçulmano, por favor deixe a sua mensagem.
Obrigado, e que a Deus / Alá esteja convosco.
Num casamento poligâmico muçulmano com 2 ou mais mulheres, o homem deve tratar a todas por igual e com justiça. Não dar mais a uma e menos a outra, não dar melhor a uma e pior a outra (não só a nível material, mas sentimental também).
Isto é tão difícil de conseguir, que se parte do pressuposto que a regra é o casamento só com uma e a excepção seja o casamento poligâmico. E é por isto que mesmo em países muçulmanos, este tipo de casamento não seja tão comum assim quanto se poderá pensar.
Na religião Islâmica, um muçulmano pode casar com mulher do Livro (muçulmana, cristã ou judia), mas não ao contrário. Por uma questão lógica que os irmãos com mais e melhor conhecimento religioso lhe poderão explicar melhor do que eu.
A primeira mulher tem o direito de consentir ou não o casamento com mais mulheres por parte do marido. Pode aliás, escrever isso no registo de casamento.
No Islão existe também o direito ao divórcio, apesar de ser a acção lícita mais detestável por Deus. E.. que como é óbvio não pode ser levado a cabo só "porque me apetece", tem de haver motivo.
O Sagrado Profeta de Deus (que a paz esteja com ele) disse que um homem pode casar com uma mulher por 4 razões: beleza, dinheiro, status e religiosidade. Sendo que a última deve ser preferida a todas as outras (e é a que, a meu ver, leva a que um casamento realmente seja feliz e funcione por longo tempo).
E Deus sabe melhor!
http://www.comunidadeislamica.pt/09-Contactos.php
Patricia deixei-lhe uma mensagem para si na sua caixa de correio.
obrigado
Ainda a propósito de casamentos, já agora, qual será o regime de bens mais apropriado a escolher no casamento civil, seguindo o mais perto possível a sharia'a? Isto, tendo-se já realizado o casamento à luz do Islão com todos os requisitos da sharia'a. Digamos que o objectivo é oficializar o casamento para que este seja reconhecido na lei portuguesa.
A mesma diz que as diferentes opções de regime de bens são as seguintes:
comunhão de adquiridos;
comunhão geral;
separação;
ou ainda outro que os nubentes convencionem.
Jazakum Allahu khayran
Hajar,
Para dois muçulmanos se casarem em Portugal, pela lei portuguesa, o regime de bens mais adequado é o de separação de bens.
Na separação de bens, tudo que cada individuo leva para o casamento, ou tudo que é adquirido por aquele individuo depois do casamento, pertence só aquele individuo.
Ex. prático:
Um casal que casou em separação de bens, depois do casamento, a mulher resolve comprar uma casa, com o dinheiro que ela tem, essa casa fica só em nome dela e em caso de divorcio é também dela.
Contudo, no caso de morte, a lei portuguesa já é muito diferente.
O que conta não é o tipo de casamento que une o casal, na partilha.
A lei portuguesa, por exemplo não permite que se deserde um filho, embora a pessoa em vida possa fazer o que quiser com dinheiro, se não o gastar todo até sua morte, não poderá deixar um testamento a dizer que não quer dar nada aos filhos. A questão da sucessão é muito complicada.
Bom se necessitares de um esclarecimento sobre este assunto mais detalhado, não hesites em me contactar.
Nota: A questão de casamento em que os nubentes convencionam, é muito mais complicada, deves arranjar um adovogado e escrever todas as clasulas que achares necessario.
Quanto a separação de bens, é mais facil, e muito parecido com o casamento muçulmano.
Olá a todos,
É a primeira vez que visito este blog.
Sou cristã e busco respostas sobre casamento muçulmano - direitos e deveres.
Meu marido deseja converter-se em muçulmano. Uma das principais razões é o facto de desejar ter outra mulher, por sua vez muçulmana, que conheceu há pouco tempo.
Acontece que amo meu marido e desejo a sua felicidade mas seu comportamento mudou comigo. Pretende que eu abdique do nosso quarto para estar com ela. Pretende que eu continue a trabalhar, enquanto ela fica em casa a espera dele. Ate falou em arranjar empregada para ela não fazer nada em casa. Amo meu marido mas sinto seu coração injusto. E se meu marido deseja ser muçulmano, eu so desejo conhecer a Lei muçulmana para saber se ele está sendo correcto comigo ou não.
Dentro de 15 dias essa mulher muçulmana chega em nossa casa.
Pergunto: Onde me posso dirigir em Portugal - Lisboa, para buscar conselho e paz para minha alma?
Este topico foi hoje publicado no Jornal Publico.
Nele o Imã Monir aconselha a divorcia-se do seu marido.
Não só ele está a violar claramente a Sharia (Lei Islamica) com a discriminação que está fazer, como a situação em si é lamentavel.
Se voce fosse minha irmã ou amiga pessoal aconselhava a fazer o mesmo embora lhe custe, não creio que, avaliando a situação, o seu marido a deseje como deseja essa esposa muçulmana nova.
w3
Patrícia,
Não sei, em termos islâmicos, qual o caminho a seguir. Mas se não entendo nada sobre o Islão, talvez conheça um pouco da natureza humana. Parece-me que, se ele só quer converter-se para poder casar com outra mulher, isso significa que não tem maturidade para manter o actual casamento, contrair um novo casamento ou, sequer, ser um verdadeiro Muçulmano.
A solução, essa, a Patrícia vai encontrá-la no seu coração.
Tenho que confessar que este assunto me deixa muito irritada. Quando 2 pessoas resolvem casar-se é porque gostam uma da outra, já se conhecem um pouco, eu jamais me casaria sem conhecer algumas qualidades, claro que é com a convivência que se conhece bem as pessoas, mas não considero que haja espaço para amar mais que uma pessoa. Jamais aceitaria que o meu marido tivesse outra mulher. Patricia, parece-me que o teu marido não te respeita e também me parece que a conversão dele não tem muito de religiosa. Eu não aceitava e queria divórcio, penso que não ias ser feliz. Desculpa a minha irritação mas este tema deixa-me assim.
A lei islâmica é clara no assunto. A conversão do homem não torna inválido o casamento da Patrícia já que ela pertence aos Povos do Livro, isto é cristã.
Creio que o marido da Patrícia está a usar o Islão como uma espécie de amuleto para cometer uma grave injustiça. O irmão molana deixou uma mensagem privada para a Patrícia.
Ma'a-salaama,
Peregrino
16-03-2008, 14:13
Olá a todos,
É a primeira vez que visito este blog.
Sou cristã e busco respostas sobre casamento muçulmano - direitos e deveres.
Meu marido deseja converter-se em muçulmano. Uma das principais razões é o facto de desejar ter outra mulher, por sua vez muçulmana, que conheceu há pouco tempo.
Acontece que amo meu marido e desejo a sua felicidade mas seu comportamento mudou comigo. Pretende que eu abdique do nosso quarto para estar com ela. Pretende que eu continue a trabalhar, enquanto ela fica em casa a espera dele. Ate falou em arranjar empregada para ela não fazer nada em casa. Amo meu marido mas sinto seu coração injusto. E se meu marido deseja ser muçulmano, eu so desejo conhecer a Lei muçulmana para saber se ele está sendo correcto comigo ou não.
Dentro de 15 dias essa mulher muçulmana chega em nossa casa.
Pergunto: Onde me posso dirigir em Portugal - Lisboa, para buscar conselho e paz para minha alma?
Este topico foi hoje publicado no Jornal Publico.
Nele o Imã Monir aconselha a divorcia-se do seu marido.
Não só ele está a violar claramente a Sharia (Lei Islamica) com a discriminação que está fazer, como a situação em si é lamentavel.
Se voce fosse minha irmã ou amiga pessoal aconselhava a fazer o mesmo embora lhe custe, não creio que, avaliando a situação, o seu marido a deseje como deseja essa esposa muçulmana nova.
w3
Sério :?:
O jornal falou sobre o fórum :?:
Tayeb, o Imã disse que estava a violar a Sharia por nesta é obrigatorio o homen tratar ambas as esposas de igual. O que não acontece neste caso.
Sim Peregrino o myciw.org estava mencionado. :D
sinceremente eu não concordo com atitude da patricia antigamente tudo bem as mulheres eram ignorantes, ... aceitavam tudo por medo do marido ou por medo de perder os filhos ....
não percebo que há mulheres que ainda aceitam isso.
eu não tenho certesa mas acho que o marido da patricia não tem direito de se casar com outra mulher simplesemente porque ele não é muçulmano mesmo se vai se converser ao islão iso não vai dar-lhe direito de se casar com outra.
e muito menos agora com a nova lei da moudawana que o pedido de ploligamia tem que ser autorizado por um juiz apenas se o marido dispõe de um "argumento objectivo excepcional" para "justificar o seu recurso para a polygamia. em caso se a mulher tem uma doiça grave, não pode ter filhos, ..... só nestes casos que o pedido e aceito.
digo isso wa Alaho ahlam.
khadijah
18-03-2008, 14:01
Assalamu aleikom,
Penso que estamos a falar sobre algo que não fará sentido neste momento, uma vez que a Patricia referia no seu 1º post (em Agosto do 2007) que a suposta senhora chegaria 15 dias depois... pelo que me questiono se tal terá algum dia acontecido?...
Na minha perspectiva esta é uma questão complexa do ponto de vista sentimental, mas muito simples do ponto de vista legal: estamos em Portugal, a lei proíbe a poligamia!Ponto final!
Obviamente que a suposta senhora jamais poderia co-habitar na casa do casal, muito menos partilhar qualquer intimidade com o marido da patricia, desde que sejam casados pela lei portuguesa, pois tal constituiria flagrante adultério. Penso que este é o 1º ponto a considerar e só depois passamos para o campo da moral e de se isso seria ou não possivel no Islão.
Sou muçulmana, convertida, casada e como tal consciente de que o meu marido poderá, em DETERMINADAS CIRCUNSTÂNCIAS desposar até mais 3 esposas, mas tal situação nem é tão vulgar nem é tão leviana como infelizmente continua a ser vista pela maioria não-muçulmana (e certamente será quase impossível em Portugal).
Esta é uma ideia errada que deriva da falta de informação sobre o Islão.
Fico triste quando volto a ler as palavras da patricia, porque quem as lê sem ter conhecimento dos direitos que o Islão concede às mulheres fica com a ideia de que estas são humilhadas e maltratadas pela religião, quando tal não pode estar mais longe da verdadel.
Acho que a irma Khadijah tem razao no ponto em que reside grande desconhecimento sobre os direitos das mulheres no Islam. È pena nao ouvirmos mais da Patricia. Alias tinha me desponibilizado para lhe conceder informaçoes sobre essa materia, que nao é bem como muita gente pensa, tanto no lado legitimo da questao como na questao do abuso que possa vir a ser feito, mas nao recebi resposta da parte dela.
salam
Assalamu aleikom,
Penso que estamos a falar sobre algo que não fará sentido neste momento, uma vez que a Patricia referia no seu 1º post (em Agosto do 2007) que a suposta senhora chegaria 15 dias depois... pelo que me questiono se tal terá algum dia acontecido?...
Na minha perspectiva esta é uma questão complexa do ponto de vista sentimental, mas muito simples do ponto de vista legal: estamos em Portugal, a lei proíbe a poligamia!Ponto final!
Obviamente que a suposta senhora jamais poderia co-habitar na casa do casal, muito menos partilhar qualquer intimidade com o marido da patricia, desde que sejam casados pela lei portuguesa, pois tal constituiria flagrante adultério. Penso que este é o 1º ponto a considerar e só depois passamos para o campo da moral e de se isso seria ou não possivel no Islão.
Sou muçulmana, convertida, casada e como tal consciente de que o meu marido poderá, em DETERMINADAS CIRCUNSTÂNCIAS desposar até mais 3 esposas, mas tal situação nem é tão vulgar nem é tão leviana como infelizmente continua a ser vista pela maioria não-muçulmana (e certamente será quase impossível em Portugal).
Esta é uma ideia errada que deriva da falta de informação sobre o Islão.
Fico triste quando volto a ler as palavras da patricia, porque quem as lê sem ter conhecimento dos direitos que o Islão concede às mulheres fica com a ideia de que estas são humilhadas e maltratadas pela religião, quando tal não pode estar mais longe da verdadel.
Já li varios artigos sobre a poligamia e muitos pensam islâmicos pensa não bani-la mas quase. Ou seja por a lei de uma maneira justa. A poligamia não existe no Islão para satisfazer homens, apenas foi permitida como uma necessidade na altura.
Irmã não é a religião que as maltrata é quem a interpreta á sua maneira que as maltrata.
Infelizmente a Praticia não falou mais... fico com pena gostava de saber como este lamentável episódio do marido dela.
Olá a todos,
?
Este topico foi hoje publicado no Jornal Publico.
Nele o Imã Monir aconselha a divorcia-se do seu marido.
Não só ele está a violar claramente a Sharia (Lei Islamica) com a discriminação que está fazer, como a situação em si é lamentavel.
Se voce fosse minha irmã ou amiga pessoal aconselhava a fazer o mesmo embora lhe custe, não creio que, avaliando a situação, o seu marido a deseje como deseja essa esposa muçulmana nova.
w3
Olá podes arranjar uma digitalização desse jornal?
Não estive cá (Portugal) e voltei ontem... por isso só agora é que vi...
obrigada,
Olá a todos,
?
Este topico foi hoje publicado no Jornal Publico.
Nele o Imã Monir aconselha a divorcia-se do seu marido.
Não só ele está a violar claramente a Sharia (Lei Islamica) com a discriminação que está fazer, como a situação em si é lamentavel.
Se voce fosse minha irmã ou amiga pessoal aconselhava a fazer o mesmo embora lhe custe, não creio que, avaliando a situação, o seu marido a deseje como deseja essa esposa muçulmana nova.
w3
Olá podes arranjar uma digitalização desse jornal?
Não estive cá (Portugal) e voltei ontem... por isso só agora é que vi...
obrigada,
A esta hora deve estar no lixo... mas vou verificar se ainda o tenho.
Peregrino
21-03-2008, 00:26
Copiei um texto do jornal o Público, penso que seja este:
Sharia
13.03.2008
A sala da Mesquita Central de Lisboa está fria e quase vazia. Não já juízes nem advogados, mas aqui costumam reunir-se
"sábios" que deliberam, sobre questões familiares ou sociais, como se estivessem num tribunal. A sua lei não é civil,
mas islâmica - a Sharia.
É nesta sala que nos recebe um afável e sorridente Xeque David Munir. Tentando dissipar dúvidas e medos, o imã (guia
religioso) fala pausadamente enquanto acalma o seu telemóvel, que não pára de tocar. Começa logo por clarificar que
a exigência de a mulher "ser submissa" ao homem "não passa de uma metáfora".
"O que é ser submissa? É o homem dizer "levanta-te!" e ela levantar-se? Ou ele dizer "senta-te!" e ela sentar-se?
Isso não é submissão, é ser escrava. Não tem nada a ver com a Sharia", frisa David Munir. "O facto de em algumas sociedades a mulher ainda ser considerada inferior, não tem nada a ver com a Sharia, mas com a tradição e a cultura" dos países.
Do mesmo modo, o facto de haver maridos que proíbem as mulheres de exercerem profissões é incompreensível para o Xeque.
"Já tivemos de decidir num caso em que uma jovem licenciada que queria ter o seu emprego e o marido, por ciúmes ou machismo, não autorizava, mas conseguimos que ele mudasse de ideias."
David Munir admite, todavia, que se os homens "ganharem o suficiente, as mulheres podem - se consentirem - ficar em
casa a tratar da família", porque o sustento não é obrigação delas. Outra recomendação que ele faz às mulheres é que "não gastem mais do que os maridos ganham", se elas não contribuírem para as despesas.
É também com a "necessidade de o homem sustentar a família" que David Munir justifica a norma da Sharia de que o homem
"tem direito ao dobro da herança" se um parente morrer, "porque ele é obrigado a ajudar, e a mulher não". No entanto, quando se trata de partilhas, ressalva, "cabe à família decidir se quer um acordo segundo a lei islâmica ou os tribunais civis". Também pode haver testamentos com cláusulas específicas que não sigam o que a Sharia determina, adianta.
O poder do divórcio
Quanto a separações, o Xeque lembra-se de um caso em que um membro da comunidade se mostrava tão renitente em conceder
o divórcio à mulher que os teólogos tiveram de tomar uma decisão "segundo a Sharia". O casamento era apenas religioso
e a deliberação foi "a favor da esposa, que tinha o direito de refazer a sua vida, mesmo que o marido não aceitasse".
Uma interpretação rígida da Sharia dá ao homem o direito unilateral de se divorciar, sem causa (basta dizer três vezes,
no decurso de três meses, "eu divorcio-me de ti"), enquanto a mulher tem de alegar "razões fortes", como infertilidade,
distúrbios mentais, doenças contagiosas ou não apoio financeiro por parte do marido para que o seu pedido seja aceite. Esta não é interpretação do Xeque de Lisboa, que esclarece: "De acordo com a Sharia, a mulher pode pedir o divórcio sem nenhuma razão acima mencionada - chama-se Khula."
David Munir clarifica ainda o que até alguns muçulmanos desconhecem: que antes de um contrato de casamento, a mulher
pode exigir "o poder do divórcio". Assim sendo, "é ela quem dá e é ele quem pede". A ignorância leva a que os pais
dos noivos às vezes recusem esta opção, porque questionam a validade da sua existência.
O imã aconselha "muita prudência" aos maridos que, num assomo de fúria, renegam as esposas três vezes (em três períodos),
porque, uma vez declarado o divórcio, mesmo que depois se arrependam, terão de esperar que a sua mulher volte a casar-se com outro e se separe deste para voltar a unir-se a ela.
Os teólogos em Portugal, acrescenta o Xeque, aconselham sempre a que o casamento religioso islâmico (ainda não
contemplado na lei portuguesa) seja em simultâneo com o civil. Obter a documentação necessária é, contudo, um processo moroso (sobretudo quando se é imigrante ilegal), e as pessoas vêm à mesquita "porque querem regularizar a sua situação familiar para não viverem em pecado".
Uma coisa é certa, embora alguns orientadores religiosos digam que o islão permite aos rapazes e raparigas casarem
assim que cheguem à puberdade, 14-15 anos, na comunidade islâmica portuguesa - criada há precisamente 40 anos e agora
com 40 mil membros - segue-se à risca a lei que exige autorização dos pais para quem quiser casar antes dos 18. "Não queremos que nos acusem de casar menores nas mesquitas", defende-se o Xeque.
"A Sharia não é uma lei bárbara e ultrapassada como alguns pensam. Trata todos como iguais. Não nos interessa agradar
aos homens ou às mulheres, mas apenas fazer o que é justo de acordo com a lei", enfatiza o Xeque. Em situações de separação de um casal, "damos até três meses para ambos pensarem. Tentamos sempre obter o consentimento mútuo, mas quando não há essa possibilidade, o que ficou decidido está decidido. Se uma das partes não gostou, paciência."
Mas, perguntamos nós, e quando há violência doméstica, a mulher terá de suportar os abusos do marido até os teólogos
concluírem que a solução é o divórcio? Responde David Munir: "O marido tem de sair de casa e ela fica. Se já não
houver convivência pacífica, ele vai para a rua. E isto é Sharia! Ela não tem de suportar um marido violento."
Bater ou repreender?
O Xeque admite que no Corão se diz que "quando uma mulher é desobediente", o marido "pode repreendê-la", embora
teólogos misóginos, com uma interpretação mais radical, considerem "ser legítimo bater depois de admoestar".
David Munir frisa: "O Profeta [Maomé] nunca levantou a mão a nenhuma das suas esposas, e até chamou a atenção de
vários maridos para que não batessem nas suas mulheres. Se vivemos numa sociedade onde é comum os homens baterem nas mulheres, não podemos dizer que isso é islâmico. É usar o islão erradamente. Eu defendo que não se deve bater, que não se deve levantar a mão. E, se por acaso, numa disputa, numa azeda troca de palavras, o homem for violento, que de imediato peça desculpas. Mas se persistir, e a mulher já não o conseguir aturar, ela tem o direito de pedir o divórcio, e o divórcio ser-lhe-á dado. Se ela se justificar, com provas, ele será obrigado a divorciar-se."
O imã reconhece que algumas mulheres preferem sofrer em silêncio do que denunciar os maus tratos a que são sujeitas pelos maridos. "Para a comunidade, estes são uns santos, pessoas exemplares, e elas temem não ser levadas a sério." O que faz o Xeque? "Eu tento encorajar as mulheres a pedirem ajuda a instituições que as protejam, a si e aos seus filhos, ou que me deixem falar directamente" com os abusadores.
Tutela dos filhos
Já aconteceu a David Munir ser, "surpreendentemente", chamado pela Comissão de Protecção de Menores, "porque
envolveu até a polícia", para dar o seu parecer numa disputa de tutela de filhos por um casal.
Nestas situações, ele aconselha de acordo com a Sharia, mas a palavra final cabe aos tribunais civis - aliás, faz questão de sublinhar que todos os casamentos litigiosos são encaminhados por si e pelos seus colegas imãs para as instâncias do Estado. Eles só tratam de separações amigáveis, e assevera que nunca tiveram de decidir sobre quem tinha direito à custódia das crianças.
Se ele tivesse de o fazer, não tem dúvidas de que avaliaria "o que seria melhor" para os filhos. "Há pessoas
que dizem que os filhos, após um divórcio, pertencem ao pai, mas não é bem assim", explica. "Se a criança for
menor, nos primeiros dois anos, fica com a mãe por causa do aleitamento."
"O que a natureza nos diz é que a criança precisa mais da mãe. O pai é obrigado a dar o sustento. A criança só tem de ficar com o pai se a mãe não tiver condições, físicas, mentais ou financeiras, de a criar. Há teólogos que defendem uma tutela conjunta. Até agora, nunca fomos solicitados a decidir em termos de tutela, mas houve casos em que a questão se colocou, por exemplo, se um pai que passa o tempo fora de casa está em condições de manter os filhos."
Casos mais comuns que são submetidos à apreciação dos teólogos são os relacionados com dívidas. "Alguém vem à
comunidade e queixa-se: "Aquele fulano, que vocês conhecem, deve-me dinheiro e não me paga." Então, chamamos a pessoa acusada, conversamos com ela, vemos como foi feito o contrato de empréstimo, se foi verbal ou por escrito, se passou ou não pelo notário, e as pessoas envolvidas acabam por aceitar as nossas decisões. É que o devedor, se não pagar, está a desrespeitar a sua crença, e fica numa situação desconfortável perante a comunidade."
Conselhos sobre poligamia
Nota final: no site myciw.org (Comunidade Islâmica da Web), uma senhora apenas identificada como Patrícia pergunta:
"Sou cristã e busco respostas sobre casamento muçulmano - direitos e deveres. Meu marido deseja converter-se
em muçulmano. Uma das principais razões é o facto de desejar ter outra mulher, por sua vez muçulmana, que
conhece há pouco tempo. Acontece que amo o meu marido e desejo a sua felicidade mas seu comportamento mudou comigo. Pretende que eu abdique do nosso quarto para estar com ela. Pretende que eu continue a trabalhar, enquanto ela fica em casa à espera dele. Até falou em arranjar empregada para ela não fazer nada em casa. Amo o meu marido mas sinto seu coração injusto. E se meu marido deseja ser muçulmano, eu só desejo conhecer a lei muçulmana para saber se ele está sendo correcto comigo ou não. Dentro de 15 dias essa mulher muçulmana chega a nossa casa."
O Xeque Munir vai lendo em voz alta a mensagem à sua frente, linha a linha, e começa a dar respostas, sabendo
que a poligamia é permitida pelo islão mas proibida em Portugal (e também em países muçulmanos de regimes
laicos como a Tunísia e a Turquia).
"Se o homem for muçulmano, para casar com outra não pode dar a esta o quarto da primeira mulher", sentencia.
"Já está a começar mal. Isto não é Sharia. Se uma das mulheres trabalhar, a outra tem de trabalhar. Isto é
Sharia. Se ele arranjar empregada para uma, tem de arranjar para outra. Se ele já está a ser injusto, então
não justifica ter outra mulher, porque vai manter a injustiça. O Alcorão diz: "Se tiver receio de não ser
justo [com as suas mulheres, que podem ser quatro], fique só com uma."
"Eu aconselharia esta senhora [Patrícia] a divorciar-se do marido, para ele casar com a outra. Vai custar,
porque ela diz que gosta dele, mas é melhor ela sofrer durante seis meses ou um ano do que viver em permanente
instabilidade."
A parte importante é esta:
Nota final: no site myciw.org (Comunidade Islâmica da Web), uma senhora apenas identificada como Patrícia pergunta:
"Sou cristã e busco respostas sobre casamento muçulmano - direitos e deveres. Meu marido deseja converter-se
em muçulmano. Uma das principais razões é o facto de desejar ter outra mulher, por sua vez muçulmana, que
conhece há pouco tempo. Acontece que amo o meu marido e desejo a sua felicidade mas seu comportamento mudou comigo. Pretende que eu abdique do nosso quarto para estar com ela. Pretende que eu continue a trabalhar, enquanto ela fica em casa à espera dele. Até falou em arranjar empregada para ela não fazer nada em casa. Amo o meu marido mas sinto seu coração injusto. E se meu marido deseja ser muçulmano, eu só desejo conhecer a lei muçulmana para saber se ele está sendo correcto comigo ou não. Dentro de 15 dias essa mulher muçulmana chega a nossa casa."
O Xeque Munir vai lendo em voz alta a mensagem à sua frente, linha a linha, e começa a dar respostas, sabendo
que a poligamia é permitida pelo islão mas proibida em Portugal (e também em países muçulmanos de regimes
laicos como a Tunísia e a Turquia).
"Se o homem for muçulmano, para casar com outra não pode dar a esta o quarto da primeira mulher", sentencia.
"Já está a começar mal. Isto não é Sharia. Se uma das mulheres trabalhar, a outra tem de trabalhar. Isto é
Sharia. Se ele arranjar empregada para uma, tem de arranjar para outra. Se ele já está a ser injusto, então
não justifica ter outra mulher, porque vai manter a injustiça. O Alcorão diz: "Se tiver receio de não ser
justo [com as suas mulheres, que podem ser quatro], fique só com uma."
"Eu aconselharia esta senhora [Patrícia] a divorciar-se do marido, para ele casar com a outra. Vai custar,
porque ela diz que gosta dele, mas é melhor ela sofrer durante seis meses ou um ano do que viver em permanente
instabilidade."
Marta Beatriz
11-08-2009, 17:40
olá
Queria colocar uma questão.
Sou casada com um mulçulmano, como ja aqui o citei, mas à pouco tempo me deparei com uma dúvida que não sei como a resolver se a situação se deparar à minha frente. Pela lei do meu marido, ele se me repudir 3 vezes estamos divorciados oficialmente e que baste ele registar as repudiações no livro de familia que ele possui que estamos divorciados.
A minha questão é aseguinte, como funciona isso legalmente em Portugal ? tendo eu a tradução do registo das repudiações, esse documento é valido em Portugal para me divorciar ?
Obrigada pela atenção.
Marta Beatriz
11-08-2009, 17:41
P.S. - desculpem, as por lapso a minha mensagem tem um erro, onde se lê, repudir, deveria ler-se repudirar
Marta, se ele te repudiar verbalmente tres vezes dizendo "Divorciei-te",,,,islamicamente estao divorciados,,,o resto é conversa,,,
KarlsEduardo
12-08-2009, 03:01
Em Nome de Deus,O Clemente,O Misericordioso
==================================
Ola amiga patricia, sou karls eduardo, o missionario do islam, o irmão tayeb ja disse tudo que tinha de ser dito.
Só para adicionar: não existe isto no islam, isto é mitologia popular.
No islam é permitido a um homem ter mais de uma esposa se a primeira permitir e mesmo sobre outras circunstancias. E ha ainda varios juristas de escolas do pensamento que mesmo assim so admitem ainda ou sob circunstancias de guerra ou orfãos como claramente da a entender o alcorão(que é o que eu entendo, ou seja: a outra mulher teria de ter um filho sem pai para ser a segunda de um homem e se a primeira deste homem permitir).
No caso vc não sendo islamica , não a torna fora da lei islamica.A lei islamica é para todos os cidadãos da terra e é clara a este respeito : o seu marido nao pode fazer isto , isto é fora da lei islamica.
Como tal você deve recorrer a "juristas islamicos" para resolver a questão que no caso seu marido esta tentando lhe enganar utilizando de uma crença popular a respeito do islam "a poligamia".
-------
Isto tudo que escrevi acima é levando em consideração de que o que você contou aqui é verdade, existe claro a possibilidade real de você ser uma pessoa que criou esta historia e postou aqui para ver a reação dos muçulmanos qual seria, porque é dificil acreditar como uma pessoa adulta vai cair num conto de fabulas deste apresentado pelo marido.
Fique com Deus
Marta Beatriz
12-08-2009, 11:54
Olá
Obrigada Molana, se isso se refere apenas Islamicamente e que a nível legal não tem valor nenhum assim ficam as minhas dúvidas tiradas.
A nivel legal,,tera de ser o estado a romper algo que o estado uniu...
Marta Beatriz
12-08-2009, 14:45
Sim issso eu sei, mas como o casaento foi feito na Argélia segundo as leis locais pensei que para a sua dissolução ele também o pudesse fazer dessa forma, ou seja, fazer no registo das repudiações na Argélia no livro de familia e depois com a tradução disso eu teria de registar isso em Portugal e valeria como divorcio também, visto que com o casamento foi assim, eu trouxe os papeis do casamento , mandei traduzir e depois registar o casamento na conservatória.
Agora como dissolver aqui,,bem tem de ir a uma conservatoria ou solicitador,,,pois so eles é que podem saber disso,,,
Peregrino
13-08-2009, 18:16
Não sei como será, desconheço os procedimentos, mas se o casamento foi validado em Portugal, penso que nesse momento a lei portuguesa passou a ser a referência do mesmo.
Bastará seguir o processamento normal como previsto na lei portuguesa.
khadijah
14-08-2009, 11:41
Olá Irmã,
Tal como o irmão Peregrino disse, perante a Lei Portuguesa para te divorciares terás de seguir um processo "normal" de divórcio numa Conservatória, penso eu.
Recordo-me que no ano passado houve alguma polémica acerca da alteração da Legislação relativamente ao divórcio, recordo-me de ter lido que não havendo filhos até podia ser feito pela Internet num site qualquer do governo, mas não tenho a certeza disso. Neste sentido penso que o facto de ele te ter repudiado de acordo com os costumes dele seria argumento suficiente para justificar que tu pedisses o divórcio aqui... mas isto é apenas uma opinião, não sou especialista nesta área:lol:. Apenas sei que com filhos é muito mais complicado, em muitas vertentes especialmente por ele ser de outro país, outra cultura, outra religião e deves estar consciente disso.
Penso que deves ter sempre presente que aqui em Portugal prevalece a Lei Portuguesa e não a Lei (Sharia?) do país do teu marido.
Salam
Khatija,,,,nao te eskeças que existem duas vertentes,,a religiosa e a estatal,,,,,,,se ele repudia verbalmente a ela e nao volta atras,,,,eles perante o islam estao divorciados,,,a lei estatal é so "pro papel",,,,.Sim, se tiveres a comparar as leis estatais de ambos paises,,ai o "o jogo" é diferente. A "Sharia" +e a lei islamica e nao a lei argelina.
khadijah
14-08-2009, 12:49
Olá Irmão Molana,
Que a paz e as bençãos de Deus estejam contigo.
Sei que perante o Islão estariam divorciados, mas não sei até que ponto isso é aplicável a este casal porque que eu saiba a Beatriz nunca se converteu e sempre pretendeu fazer o casamento na Igreja, a razão porque foi obrigada a fazê-lo na Argélia tem a ver com o facto de que de outra forma o seu marido jamais obteria o visto para vir para Portugal.
Sabendo isto, penso que não é moralmente correcto dizer que ela está sujeita às leis do Islão unicamente para reger a sua "casa".
Penso que para haver harmonia devem tentar conciliar as coisas, como em qualquer casal, mas dizer que a lei Islâmica prevalece acho que não está certo quando ela só casou desta forma para o ajudar a ele.
E além disso ter sempre presente que em Portugal prevalece a lei portuguesa. Não é porque o Islão, na interpretação de alguns, até lhe dá a ele a direito de lhe bater, que ela perde o direito de ir imediatamente à policia fazer queixa dele, por exemplo.
É a minha opinião...
Salam
Peregrino
14-08-2009, 13:17
Khadijah não é isso o que o Molana disse.
Deixe lá a lei islâmica de lado, tem pouca importância, e menos ainda o exemplo dado de que o homem segundo alguns poderia bater na mulher, até porque a lei islâmica diz que a mulher pode pedir divórcio por mau trato e não como outros que diz só a morte os poderá separar.
Molana foi quem primeiro informou sobre a necessidade de ir no conservatório ou consultar um solicitador para efetivar o divórcio segundo as normas civis portuguesas.
Molana é bastante simples e não perde tempo a enrolar :lol:
Respeito sua opinião, mas depois deste tempo todo, ainda não conseguiu liberar seu coração dos preconceitos e estereótipos anti sua religião...Não leve a mal.
khadijah
14-08-2009, 13:38
Olá irmão Peregrino,
Peço desculpa porque de certo não fui clara no que escrevi.
O irmão Molana está absolutamente certo do ponto de vista do islão, estamos de acordo.
Agora quando o irmão Molana diz "a lei estatal é só pro papel" isso é que eu não concordo de maneira nenhuma.
Estamos em Portugal, a lei é para tudo e não só para o papel, pelo menos para mim.
Claro que o irmão Peregrino pode discordar, mas daí a atacar-me, não percebi muito bem...
Salam
Peregrino
14-08-2009, 14:12
A palavra atacar é muito forte, temia que fosse vista dessa forma.
Peço desculpa se a incomodei.
khadijah
14-08-2009, 14:26
Irmão Peregrino,
Também peço desculpa, reagi exageradamente.
:oops:
Marta Beatriz
14-08-2009, 18:28
Olá
Obrigada a todos, e pelo que ja me informei, tudo o ke seja relativo a religiam aqui em portugal poucou nada tem valor, pela catolica, nunca se podem divirciar e pela Lei Islamica também n tem peso, por isso, ser´so mesmo perante a Lei Portuguesa, pelo simples facto de estar registado em Portugal temos que nos reger pela Lei de Portugal.
Mais uma vez obrigada a todos e que Deus esteja convosco.
O que eu quis dizer a ambas as irmas,,,é que uma vez que o dito senhor repudia a mulher,,,,e o divorcio islamico é consumado,,entao,,,,,o divorcio estatal é apenas uma burocracia na religiao,,porque depois desse repudio,,e caso seja feito 3 vezes,,,eles ja nao podem viver como marido e mulher na religiao...mesmo que na conservatoria sejam casados,,,
Marta Beatriz
15-08-2009, 00:06
Entendo, o que ele me diz agora é que não disse e que voltava a ser tudo como antes, como estavamos sozinhos e não houve testemunhas ele diz simplesmente que não disse e caso arrumado....vai-se entender os homens.
Peregrino
15-08-2009, 01:39
Entendo, o que ele me diz agora é que não disse e que voltava a ser tudo como antes, como estavamos sozinhos e não houve testemunhas ele diz simplesmente que não disse e caso arrumado....vai-se entender os homens.
O seu caso dá oportunidade para sabermos mais do assunto, tendo em conta o ponto de vista islâmico.
Conto com o Molana para nos explicar como inverter um divórcio que não chegou a ser divórcio ou se o casal, depois de efetivamente divorciado decidir voltar a juntar-se.
Em suma, como é que se volta atrás Molana:?:
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Beatriz, os homens, as mulheres, somos todos muito complicados, falamos demais quando devíamos estar calados.
Penso que existe um dito do profeta sobre a necessidade de saber-se dominar a língua :)
Se alguém souber qual é, meta aqui por favor
Ok,mas antes de irmos para frente, preciso de saber o seguinte:
Uma pergunta, beatriz...O teu marido disse-te em palavras claras,,,," eu repudiou-te?" ou "eu divorciou-te" ou alguma frase no presente ou passado com a palavra "divorcio?
Se disse,,,,quantas vezes foram e ha quanto tempo?
Marta Beatriz
15-08-2009, 12:41
Olá
disse as palavras em árabe, mas essas palavras eu conheço e reconhecias quando ela mas disse e repetiu-as 3 vezes. Passado 5 minutos fui-lhe perguntar se sabia o que me tinha disse e disse que sim, que sabia muito bem o que tinha dito e então eu disse-lhe que tinha entendido o que ele me tinha dito ao qual ficou bem admirado e penso eu um pouco atrapalhado.
Se ele proferiu a palavra "talaq" ou algo k essa palavra,,e disse 3 vezes entao nao ha volta a dar..se bem que ultimamente os arabes tem arranjado "desculpas" que tem que se dizer em tres lugares diferentes...Rubbish.
Marta Beatriz
16-08-2009, 02:41
o que sei é que o que ele me disse em portugues quer dizer " eu te repudio", mas agora diz-me que além de o não ter dito que também não havia testemunhas para comprovar em que ele o tinha dito.
No divorcio,,,,nao é necessario haver testemunhas,,,,,isso todos os arabes dizem tambem....alias,,,so no casamento é que se aplicam as testemunhas para que ninguem acuse o casal de adulterio....caso esse que nao existe num divorcio,,,va por mim,,ele cometeu um erro e agora quer a todo custo remediar. A unica coisa que tem de perguntar-lhe é se ele usou a palavra "talaq" ou o seu verbo,,,e quantas vezes proferiu.
Peregrino
16-08-2009, 22:30
Quer dizer que agora, do ponto vista religioso, resta a realizar novo casamento?
Do ponto de vista legal ( não religioso), o casamento continua válido
Se ele proferiu a palavra tres vezes,,,,entao,,,nao ha volta a dar,,,a lei "obriga" que ambos estejam separados ate haver outro casamento e divorcio da parte da mulher. Sim, se ele nao proferiu tres vezes a palavra divorcio,,,entao apenas renova-se o casamento.
Marta Beatriz
17-08-2009, 14:21
As palavras que ele disse tradizindo para o portugues é " eu te repudio" agora essa palavra sinceramente não sei como se pronuncia. Mas também o que ele agora diz é que não disse e se tivesse dito que não havia testemunhas para o comprovar. Para mim o problema não é se islamicamente continuo ou não caada com ele, apenas é que se agora nega o que disse não é um homem de palavra portanto não é de confiança.
Isso ja é entao um problema pessoal vosso,,,,,,boa sorte!
Marta Beatriz
17-08-2009, 18:11
Obrigada, apenas queria saber como funcionava me lei Islamica, para ele não me tomar por leiga nisso.
Tendo o assunto se esgotado, vou trancá-lo.
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