Vizualizar Versão Completa : Poemas e Ditos Islàmicos
s3 e saudações,
Que tal partilhar aqui poemas e ditos islâmicos? Algo para fortalecer a alma. Vou iniciar este tópico com o poema "Quando eu morrer", da autoria de Jalad ud-Din al-Rumi:
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Quando eu morrer
No dia em que levarem meu corpo morto
não penses que meu coração ficará neste mundo.
Não chores por mim, nada de gritos e lamentações
- lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio.
Ao ver o cortejo passar, não grites: "ele se foi!"
Para mim, será esse o momento do reencontro.
E quando me descerem ao túmulo, não digas adeus!
A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.
Ante a visão do corpo que desce
pensa em minha ascensão.
Que há de errado com o declínio do sol e da lua?
O que te parece declínio, é tão somente alvorada.
E ainda que o túmulo te pareça uma prisão,
e é ele que liberta a alma:
toda semente que penetra na terra germina.
Assim também há de crescer a semente do homem.
O balde só se enche de água
se desce ao fundo do poço.
Por que deveria o José do espírito
reclamar do poço em que foi atirado?
Fecha a tua boca deste lado
e abre-a mais além.
Tua canção triunfará
no alento do não-lugar.
- Rumi ?
(Texto extraído do livro "Poemas Místicos", de Jalad ud-Din Rumi, maravilhoso poeta sufi ? Editora Attar).
s3 e saudações,
Removí este poema de um outro tópico para que fizesse parte deste, penso eu mais interessante inxa-Allah. O poema "A Evolução da Forma" é também de Allama al-Rumi.
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A Evolução da Forma
Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.
As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.
Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?
A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.
Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?
Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.
Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.
Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.
Jalal ud-Din Rumi - Poeta e místico sufi do século XIII
(Poemas Místicos, Ed. Attar, 1996)
Se eu adoro-Te
Se eu adoro-Te por medo do Inferno,
queima-me no Inferno!
Se eu adoro-Te por desejo do Paraíso,
deixa-me fora do Paraíso.
Mas se eu adoro-Te somente pelo que És,
não me negues a Tua Eterna Beleza.
- Rabia al Basri 717-801 DC
Do livro "Doorkeeper of the heart: versions of Rabia al Basri", traduzido para o inglês por Charles Upton. Putney, Vt.: Threshold Books, c1988
«Se esse conhecimento pudesse ser obtido simplesmente pelo que dizem outros homens, não seria necessário entregar-se a tanto trabalho e esforço, e ninguém se sacrificaria tanto nessa busca.
Alguém vai á beira do mar e só vê água salgada, tubarões e peixes. Ele diz:
«Onde está essa pérola de que falam? Talvez não haja pérola alguma».
Como seria possível obter a pérola simplesmente olhando o mar? Mesmo que tivesse de esvaziar o mar cem mil vezes com uma taça, a pérola jamais seria encontrada.
E preciso um mergulhador para encontrá-la.»
RUMI - In "Fihi Ma Fihi" - Edições Dervish
O principal para ti é prestar atenção a todo o momento, estar atento ao que chega a tua mente e ao teu coração. Reflecte sobre estes pensamentos e sentimentos. Analisa-os. Tenta controlá-los. Tenha cuidado com os desejos do teu ego, salda tuas dívidas para com ele.
Tenha consciência, vergonha frente a Deus. Ele será um bom motivo para estares prudente, vigilante. Preocupar-te-ás, então, pelo que estás a fazer, dizer e pensar, e os pensamentos e sentimentos que sejam feios aos olhos de Deus não poderão assentar-se em teu coração. Teu coração estará assim a salvo de desejar acções que não estejam de acordo com a vontade de Deus. Valoriza teu tempo, vive o presente. Não vivas imaginariamente, ou gastes mal o tempo de que dispões. Deus prescreveu um dever, um acto, um culto para cada momento. Aprende qual é e apressa-te para fazê-lo. Primeiro leva a cabo as acções que Ele estabeleceu como obrigatórias. Logo, realiza o que mandou fazer por meio do exemplo do seu Profeta. Depois, faça também as acções boas e aceitáveis que Ele deixou para tua livre decisão. Trabalha para servir aos que estejam necessitados. Tudo quanto faças, faça-o com o propósito de te aproximares de teu Senhor em teus actos de adoração e nas orações. Pensa que cada acção possa ser teu último acto, que cada oração possa ser tua última prostração, que possa ser que não tenhas outra oportunidade. Se o fazes assim, terás um novo motivo para manter-se vigilante e, também, para chegar a ser sincero e verdadeiro. Deus valoriza menos as boas acções feitas inconscientemente e sem sinceridade, que as realizadas consciente e sinceramente.
- Ibn' Arabi
Sou o escravo que libertou o amo,
o discípulo que instruiu o mestre.
Sou a alma que ontem nasceu no mundo
e no mesmo instante criou este mundo vetusto.
Sou a cera orgulhosa que fez o ferro virar aço.
Passei ungüento nos olhos dos cegos
e ensinei homens de curto entendimento.
Sou a nuvem negra que trouxe alegria
da noite de dor ao dia de festa.
Sou a terra milagrosa
que pelo fogo do amo se elevou
e tocou a mente do céu.
Noite passada, o rei não dormiu,
contente de saber que eu, o escravo, dele me lembrei.
Não me culpes se sou escandaloso e lavrei justiça,
foste tu que me embriagaste.
Silêncio, que o espelho se desgasta;
quando soprei sobre ele,
protestou contra mim."
- Rumi
[In: Poemas Místicos - Divan de Shams de Tabriz. SP: Attar, 1996:79]
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